Como não sei se as pessoas de quem vou inevitavelmente falar se sentem à vontade com o facto de ver coisas íntimas sobre si na Internet, vou referir-me a elas por iniciais (espero que não se importem). Bem, agora o post propriamente dito...
Pois é, já vamos a meio do 3º período do ano lectivo 2006/2007. Parece que não, mas é verdade. O final do ano aproxima-se, mas as coisas não estão, a meu ver, como deveriam. Porquê?
No período passado, na sequência de alguns eventos menos claros e esclarecidos, deixei de falar para um amigo meu, o H. Éramos, por acaso, bons amigos. Quer dizer, não o conheço há mais do que uns... 7/8 meses? Mas não interessa, o facto é que eu e ele nos dávamos bem, a conversa era interessante e, pronto, havia respeito mútuo. Mas a verdade é que passámos, sem exagerar, uns 2 meses sem nos falarmos. Só passado algum tempo é que eu soube a verdade... e, bem, custou a engolir. Especialmente, porque eu estava errado. Normalmente, não tenho grandes dificuldades em pedir desculpa (pode dizer-se que erro muitas vezes), mas não desta vez. Só o fiz há umas 3 semanas, mas, como diz o ditado, mais vale tarde do que nunca. Agora, eu e ele falamos como dantes, ele tem uma nova relação amorosa (não se preocupem, nós não namorámos, mas sim ele e um amigo meu, o F.) e está tudo na normalidade.

Há um pouco mais de uma semana, numa terça-feira, se não estou em erro, estava eu no Youtube a ver uns vídeos quando clico para um link de um vídeo sobre o massacre de golfinhos no Japão. Como era para maiores de 18 e eu cometi a burrice (dependente do ponto de vista de cada um) de me inscrever no site com a minha idade verdadeira, não o pude ver. Porém, reparei que havia algumas... dezenas? Sim, acho que eram algumas dezenas de respostas ao vídeo, em que as pessoas mostravam a sua opinião sobre o assunto. Li um comentário que falava do massacre de galinhas, e cliquei no link. Este já dava para ver. Esperei que carregasse e, quando o vi... bem! A sério, não me tomem por ingénuo, visto que eu já tinha ouvido falar das más condições em que os animais vivem antes de chegarem aos nossos pratos, mas... sabem como é, uma imagem vale mais do que mil palavras (frase cliché, eu sei...). O desejo insaciável por carne da sociedade consumista em que vivemos obriga a que estes animais sejam "produzidos" em condições horríveis, cresçam demasiado depressa, sejam vítimas de abuso, morram sem qualquer dignidade nem tenham qualquer vida digna de um animal. Enfim, estava indignado. Mostrei o vídeo à S., que também teve a mesma reacção que eu. Então, decidi que iria pesquisar sobre o assunto. Nessa noite, a navegar pelo youtube, vi mais alguns vídeos sobre aquilo que fazem aos animais nos matadouros (principalmente aos bovinos, e esse chocou-me mesmo), sobre aquilo que fazem aos golfinhos (consegui ver, depois de procurar muito) lá no Japão, aquilo que fazem aos cães na Coreia, aquilo que fazem aos animais nos Estados Unidos. Pois, claro, vocês devem estar a pensar "Ó, isso só mesmo lá na Ásia ou nos Estados Unidos". Desenganem-se, porque um dos meus contactos no Msn a quem eu mostrei o vídeo dos bovinos respondeu-me da seguinte forma "Grande novidade. Eu trabalhei num matadouro, sei como se faz, não preciso de ver." (!!!!) - imediatamente, comecei a fazer-lhe perguntas. Segundo ele, trabalhou no melhor matadouro de Portugal, e era assim que se faziam as coisas, visto que "as vacas são mais resistentes".
No dia seguinte, tomei a decisão, juntamente com uma amiga minha, a A., de me tornar vegetariano (sim, eu antes criticava-os e muito, mas agora que tinha visto aquilo, não podia continuar a compactuar com aquelas atrocidades). Confesso que foi uma decisão um tanto impulsiva, mas eu e ela decidimos que iríamos retirar da nossa "dieta" qualquer vestígio de carne. Podíamos comer peixe, mas, à parte disso, nada. Além de vegetais, claro. A S. disse que estávamos a ser hipócritas, e, depois de uma pesquisa mais profunda, vi que ela tinha razão porque, afinal de contas, os peixes também sofrem (e não se esqueçam que o bacalhau está em vias de extinção). Até hoje, eu e ela temos cumprido aquilo que dissemos, apesar de, no primeiro dia, eu ter comido fiambre (sorry, mas nem me apercebi). Um conselho: vejam os vídeos, pesquisem. Não é por acaso que muitas pessoas que trabalham no ramo investem tanto tempo a dar uma imagem errada ao grande público, a emitir a verdadeira realidade.
Em relação à escola, vai tudo bem. Consegui subir algumas notas, em relação ao período anterior. Espero manter-me assim até ao final do ano, era bom!
Decidi que iria ajudar os animais de Braga, colaborar com uma organização chamada A.B.R.A., visto que estava na altura de eu fazer alguma coisa mais pelos animais, além de divulgar aquilo que sabia e de renunciar à carne. Em função disso, fui eu e umas amigas no Sábado passado ao canil, e depois estivemos a ajudar na Avenida alguns voluntários da associação que lá estavam a tentar que alguém de entre as dezenas de pessoas que passavam se preocupasse em salvar algum dos animais que estavam com eles (alguns eram tão engraçados, outros eram bonitos, tive pena de pensar que poderiam ser abatidos caso ninguém os levasse...). Porém, depois desse dia, ainda não sei o que fazer em relação a esse assunto.

Existe, no entanto, uma coisa que me chateia... É que, há uns dias, numa aula de Literatura Portuguesa, eu fiz um comentário que, à primeira vista, me pareceu inofensivo, mas que ofendeu uma pessoa da minha turma, a J. ,que é negra/de cor/mulata - eu, pessoalmente, prefiro o termo negra, por isso não me levem a mal, não o uso com o propósito de ofender. Os dias passaram-se e, como ela falou sem problemas para mim nos dias seguintes, pensei que tudo estivesse bem. Mas, na 3ª feira, ela veio falar comigo, dizendo que tinha achado o meu comentário racista, que, seu eu tinha quaisquer problemas com os ciganos também tinha com os negros, e que, quando as pessoas eram assim (racistas), a coisa ficava preta (irónico que ela tenha usado esta expressão). Deixem-me esclarecer uma coisa. O que se passou na aula de Literatura foi o seguinte: a J. estava a apresentar um livro e a Prof. estava a explicar-nos que, ao contrário daquilo que se passava no séc. XVIII em Portugal, hoje as pessoas não estavam muito condicionadas em relação ao casamento. Eu, lembrando-me do exemplo dos ciganos que se casam devido às escolhas dos pais, disse "Depende das raças!". "Depende das raças", eu sei, foi um pouco duro. A verdade é que nem pensei muito bem na forma como disse, tanto que nem reparei que ela ficou toda, perdoem-me a expressão, "lixada". Posto isto, o objectivo da conversa foi ela dizer-me que, passo a citar, não queria "mais papo" comigo. Eu fiquei sem reacção e passei a aula seguinte a pensar naquilo. Então, no intervalo que lhe sucedeu, fui falar novamente com ela e expliquei-lhe que não a olhava de forma diferente por ser de outra raça, que não disse aquilo para ofender, etc etc. Ela, porém, parece que nem me ouviu, já que nem de ideias mudou. Eu não era lá muito amigo dela (visto até que ela entrou a meio do ano), mas, fogo, não gosto de estar assim em relação a alguém. E... chamar-me racista? Desculpem lá mas... pronto, vê-se que não me conhece. Engraçado como estas pessoas, que procuram tolerância e compreensão, são, elas próprias, intolerantes. Sim, porque não era muito difícil de compreender que aquilo que eu dissera não foi para ofender. Mas talvez aquilo seja orgulho a mais, não sei - em jeito de nota, todos dizem que ela foi estúpida, apesar de isso não interessar muito.
Bem, mudanças. Umas para melhor, outras sem grandes consequências. A vida está cheia disso mesmo. Mudanças.