Thursday, May 10, 2007

mudanças

Hoje é quinta-feira, dia 10 de maio de 2007 (grande novidade, eu sei...) e decidi que devia escrever um post sobre mim e sobre aquilo que tem acontecido ultimamente.
Como não sei se as pessoas de quem vou inevitavelmente falar se sentem à vontade com o facto de ver coisas íntimas sobre si na Internet, vou referir-me a elas por iniciais (espero que não se importem). Bem, agora o post propriamente dito...

Pois é, já vamos a meio do 3º período do ano lectivo 2006/2007. Parece que não, mas é verdade. O final do ano aproxima-se, mas as coisas não estão, a meu ver, como deveriam. Porquê?

No período passado, na sequência de alguns eventos menos claros e esclarecidos, deixei de falar para um amigo meu, o H. Éramos, por acaso, bons amigos. Quer dizer, não o conheço há mais do que uns... 7/8 meses? Mas não interessa, o facto é que eu e ele nos dávamos bem, a conversa era interessante e, pronto, havia respeito mútuo. Mas a verdade é que passámos, sem exagerar, uns 2 meses sem nos falarmos. Só passado algum tempo é que eu soube a verdade... e, bem, custou a engolir. Especialmente, porque eu estava errado. Normalmente, não tenho grandes dificuldades em pedir desculpa (pode dizer-se que erro muitas vezes), mas não desta vez. Só o fiz há umas 3 semanas, mas, como diz o ditado, mais vale tarde do que nunca. Agora, eu e ele falamos como dantes, ele tem uma nova relação amorosa (não se preocupem, nós não namorámos, mas sim ele e um amigo meu, o F.) e está tudo na normalidade.


Há um pouco mais de uma semana, numa terça-feira, se não estou em erro, estava eu no Youtube a ver uns vídeos quando clico para um link de um vídeo sobre o massacre de golfinhos no Japão. Como era para maiores de 18 e eu cometi a burrice (dependente do ponto de vista de cada um) de me inscrever no site com a minha idade verdadeira, não o pude ver. Porém, reparei que havia algumas... dezenas? Sim, acho que eram algumas dezenas de respostas ao vídeo, em que as pessoas mostravam a sua opinião sobre o assunto. Li um comentário que falava do massacre de galinhas, e cliquei no link. Este já dava para ver. Esperei que carregasse e, quando o vi... bem! A sério, não me tomem por ingénuo, visto que eu já tinha ouvido falar das más condições em que os animais vivem antes de chegarem aos nossos pratos, mas... sabem como é, uma imagem vale mais do que mil palavras (frase cliché, eu sei...). O desejo insaciável por carne da sociedade consumista em que vivemos obriga a que estes animais sejam "produzidos" em condições horríveis, cresçam demasiado depressa, sejam vítimas de abuso, morram sem qualquer dignidade nem tenham qualquer vida digna de um animal. Enfim, estava indignado. Mostrei o vídeo à S., que também teve a mesma reacção que eu. Então, decidi que iria pesquisar sobre o assunto. Nessa noite, a navegar pelo youtube, vi mais alguns vídeos sobre aquilo que fazem aos animais nos matadouros (principalmente aos bovinos, e esse chocou-me mesmo), sobre aquilo que fazem aos golfinhos (consegui ver, depois de procurar muito) lá no Japão, aquilo que fazem aos cães na Coreia, aquilo que fazem aos animais nos Estados Unidos. Pois, claro, vocês devem estar a pensar "Ó, isso só mesmo lá na Ásia ou nos Estados Unidos". Desenganem-se, porque um dos meus contactos no Msn a quem eu mostrei o vídeo dos bovinos respondeu-me da seguinte forma "Grande novidade. Eu trabalhei num matadouro, sei como se faz, não preciso de ver." (!!!!) - imediatamente, comecei a fazer-lhe perguntas. Segundo ele, trabalhou no melhor matadouro de Portugal, e era assim que se faziam as coisas, visto que "as vacas são mais resistentes".
No dia seguinte, tomei a decisão, juntamente com uma amiga minha, a A., de me tornar vegetariano (sim, eu antes criticava-os e muito, mas agora que tinha visto aquilo, não podia continuar a compactuar com aquelas atrocidades). Confesso que foi uma decisão um tanto impulsiva, mas eu e ela decidimos que iríamos retirar da nossa "dieta" qualquer vestígio de carne. Podíamos comer peixe, mas, à parte disso, nada. Além de vegetais, claro. A S. disse que estávamos a ser hipócritas, e, depois de uma pesquisa mais profunda, vi que ela tinha razão porque, afinal de contas, os peixes também sofrem (e não se esqueçam que o bacalhau está em vias de extinção). Até hoje, eu e ela temos cumprido aquilo que dissemos, apesar de, no primeiro dia, eu ter comido fiambre (sorry, mas nem me apercebi). Um conselho: vejam os vídeos, pesquisem. Não é por acaso que muitas pessoas que trabalham no ramo investem tanto tempo a dar uma imagem errada ao grande público, a emitir a verdadeira realidade.

Em relação à escola, vai tudo bem. Consegui subir algumas notas, em relação ao período anterior. Espero manter-me assim até ao final do ano, era bom!

Decidi que iria ajudar os animais de Braga, colaborar com uma organização chamada A.B.R.A., visto que estava na altura de eu fazer alguma coisa mais pelos animais, além de divulgar aquilo que sabia e de renunciar à carne. Em função disso, fui eu e umas amigas no Sábado passado ao canil, e depois estivemos a ajudar na Avenida alguns voluntários da associação que lá estavam a tentar que alguém de entre as dezenas de pessoas que passavam se preocupasse em salvar algum dos animais que estavam com eles (alguns eram tão engraçados, outros eram bonitos, tive pena de pensar que poderiam ser abatidos caso ninguém os levasse...). Porém, depois desse dia, ainda não sei o que fazer em relação a esse assunto.


Existe, no entanto, uma coisa que me chateia... É que, há uns dias, numa aula de Literatura Portuguesa, eu fiz um comentário que, à primeira vista, me pareceu inofensivo, mas que ofendeu uma pessoa da minha turma, a J. ,que é negra/de cor/mulata - eu, pessoalmente, prefiro o termo negra, por isso não me levem a mal, não o uso com o propósito de ofender. Os dias passaram-se e, como ela falou sem problemas para mim nos dias seguintes, pensei que tudo estivesse bem. Mas, na 3ª feira, ela veio falar comigo, dizendo que tinha achado o meu comentário racista, que, seu eu tinha quaisquer problemas com os ciganos também tinha com os negros, e que, quando as pessoas eram assim (racistas), a coisa ficava preta (irónico que ela tenha usado esta expressão). Deixem-me esclarecer uma coisa. O que se passou na aula de Literatura foi o seguinte: a J. estava a apresentar um livro e a Prof. estava a explicar-nos que, ao contrário daquilo que se passava no séc. XVIII em Portugal, hoje as pessoas não estavam muito condicionadas em relação ao casamento. Eu, lembrando-me do exemplo dos ciganos que se casam devido às escolhas dos pais, disse "Depende das raças!". "Depende das raças", eu sei, foi um pouco duro. A verdade é que nem pensei muito bem na forma como disse, tanto que nem reparei que ela ficou toda, perdoem-me a expressão, "lixada". Posto isto, o objectivo da conversa foi ela dizer-me que, passo a citar, não queria "mais papo" comigo. Eu fiquei sem reacção e passei a aula seguinte a pensar naquilo. Então, no intervalo que lhe sucedeu, fui falar novamente com ela e expliquei-lhe que não a olhava de forma diferente por ser de outra raça, que não disse aquilo para ofender, etc etc. Ela, porém, parece que nem me ouviu, já que nem de ideias mudou. Eu não era lá muito amigo dela (visto até que ela entrou a meio do ano), mas, fogo, não gosto de estar assim em relação a alguém. E... chamar-me racista? Desculpem lá mas... pronto, vê-se que não me conhece. Engraçado como estas pessoas, que procuram tolerância e compreensão, são, elas próprias, intolerantes. Sim, porque não era muito difícil de compreender que aquilo que eu dissera não foi para ofender. Mas talvez aquilo seja orgulho a mais, não sei - em jeito de nota, todos dizem que ela foi estúpida, apesar de isso não interessar muito.

Bem, mudanças. Umas para melhor, outras sem grandes consequências. A vida está cheia disso mesmo. Mudanças.

Wednesday, April 25, 2007

the o.c.

Há quase um ano, lembro-me, estava a eu a falar com um amigo meu por MSN, o Flávio, e reparei que ele tinha no avatar dele um poster de algo chamado The OC. No poster, a preto e branco, estavam dois casais. Perguntei-lhe de que se tratava aquilo, e ele disse-me que era uma série de alodescentes que gostava muito. Ele falou-me um pouco mais da série, e foi aí que me despertou interesse pela primeira vez.

A meio de uma tarde aborrecida, no Verão, liguei a televisão e sintonizei nos canais que mais vejo - Sic Radical, MTV, AXN, Fox - e, quando mudei para este último, vi que estava a dar The O.C., e, para surpresa minha, estava no início do episódio Pilot. Sentei-me no sofá e vi o episódio até ao fim, feliz por, finalmente, ter podido ver alguma coisa da série. Adorei o episódio.

Mischa Barton

A partir daí, passei a ver, todos os dias da semana, The O.C. e apercebi-me de que já conhecia a série (dos tempos em que a 1ª temporada passava na RTP1). Sempre à mesma hora, por volta das cinco, sentava-me na sala e acompanhava a vida daquelas que se tornavam, a cada episódio, a cada história contada, as minhas personagens favoritas da televisão. E, assim, acompanhei toda a primeira temporada.

Para quem não sabe, o argumento da série inicia-se quando um jovem problemático, Ryan Atwood, é acolhido na casa do seu advogado, Sandy Cohen, em Orange County. Aí, conhece um grupo de personagens que vai mudar a sua vida. Apesar de ainda só ter podido ver a primeira temporada completa e alguns episódios das temporadas que se seguiram, posso dizer que aquilo que me cativou mais na série foi a sua dinâmica, as suas personagens, o cenário e as história. Na primeira temporada, por exemplo, a cada episódio surgiam situações novas, reviravoltas, e muito desenvolvimento da narrativa.

Benjamin McKenzie

A série, pelo que sei, foi transmitida em cinco dezenas de países e teve um grande sucesso por esse mundo fora. Segundo os fãs críticos, a melhor temporada mesmo é a primeira. A terceira fez com que muitos fãs abandonassem a série, especialmente depois daquilo que aconteceu a uma das personagens principais no último episódio, ditando o final prematuro da série, que se deu na quarta temporada.

As personagens principais são Ryan, Marissa, Summer e Seth, quatro jovens a enfrentar a adolescência. Ryan é o rapaz pobre, bruto do grupo. Apesar de tudo, é inteligente e defensor dos valores em que acredita. Marissa é a menina rica. É um pouco insegura e tímida. Porém, descobrimos que ela é muito mais do que isso (o argumento reservou para ela algumas das melhores sub-narrativas da série). Summer é a melhor amiga de Marissa. Um pouco convencida e arrogante, no início da série, despreza Seth, um admirador seu. Seth é o geek do grupo. Mete-se em problemas constantemente e não sabe como resolvê-los. Por isso, vê com bons olhos a chegada de um amigo que o possa defender.
Acompanhar as suas aventuras é algo muito divertido, pois os actores e o argumento fazem com que a sua relação seja credível e realista.

Melinda Clarke, Kelly Rowan, Peter Gallagher, Benjamin McKenzie, Mischa Barton

A paisagem que envolve a série é também merecedora de alguns comentários da minha parte. Newport Beach é, sem dúvida, um local dotado de uma beleza natural. As cenas passadas na praia são especialmente interessantes, quer pelo cenário, quer pela carga dramática de algumas delas.

Quanto à banda sonora, também a série está de parabéns. Existem músicas de bandas relativamente conhecidas, como os The Killers, e outras que levaram bandas desconhecidas à fama, como os Phantom Planet, com a música California, que aparece no genérico inicial da série. E que recordações essa música traz aos fãs da série, certamente. Acredito que qualquer fã, cada vez que ouve essa música, seja incapaz de sorrir, lembrando-se das personagens que integram a série.

Por fim, devo dizer que The O.C. é apaixonante. Pelo menos, num país como no nosso, em que os jovens adoram Morangos com Açucar e afins, esta série poderia muito bem ser apreciada por eles (se bem que toda a gente que goste da série portuguesa que citei tenha, à partida, gostos duvidosos). The O.C. é o retrato de personagens que procuram a felicidade e, embora rodeadas por uma paisagem maravilhosa, não conseguem encontrar essa beleza na sua vida.
The O.C.
é uma das séries mais populares de sempre, sem dúvida, e tenho pena que tenha apenas quatro temporadas. Marcou muita gente, e fez com que muita gente a odiasse. Mas tudo o que é polémico é assim, não é verdade...?


Saturday, April 21, 2007

pulse

Olá pessoal, volto hoje aqui a postar para falar-vos mais uma vez de um filme que vi recentemente. Desta vez, Pulse.

A tecnologia é um factor muito importante na vida de cada um de nós. De facto, sem tecnologia, o mundo seria muito diferente daquele dos nossos dias.
Em geral, os avanços nesta área serviram para modificar de forma positiva a vida do ser humano, porém, lentamente, os efeitos negativos das tecnologias - em particular daquelas que usamos para comunicar - começam a tornar-se cada vez mais notórios. Assim, aquilo que era suposto aproximar-nos tem o efeito completamente oposto, separando-nos cada vez mais uns dos outros. E é esse o tema-base de Pulse.

Jonathan Tucker, Rick Gonzalez, Kristen Bell, Christina Milian

O filme começa com um estudante a dirigir-se para a biblioteca da escola, claramente perturbado. À sua volta, vemos outros jovens, a maior parte a falar ao telemóvel, ou com um computador portátil, ou outro tipo de tecnologia. Esta cena é interessante porque consegue transmitir de forma eficiente a mensagem do filme.
O rapaz lá consegue chegar à biblioteca mas, para seu azar, não consegue encontrar a pessoa que procurava. Em vez disso, é atacado por uma espécie de fantasma. A cena então acaba e corta para um grupo de amigos num café - Mattie, Izzie, Stone e Tim -, as nossas personagens principais. Infelizmente, as personagens também não são muito elaboradas; aliás, são esteriótipos de jovens americanos - temos o tímido, o hacker, a permíscua... A única um pouco mais desenvolvida é mesmo Mattie, que vê o seu namorado suicidar-se e tem uma relação disfuncional com a mãe.


A história começa verdadeiramente quando o namorado de Mattie (aquele que vimos no início do filme) se suicida e pede ajuda aos restantes. E, a partir daqui, Pulse começa a descarrilar. A trama desenvolve-se de forma repetitiva e algo desengonçada, pelo que, quando vemos as consequências do vírus, o choque é inexistente. Existem poucas explicações para o que acontece, e, quando o filme tenta justificar os seus acontecimentos (como, por exemplo, o vírus surgiu), estas parecem (bastante) irrealistas. Talvez no filme japonês (Kairo) em que Pulse se inspira, o conceito tenha resultado de uma melhor forma.

Ian Somerhalder, Kristen Bell

Enquanto filme de terror, Pulse é também bastante insatisfatório. Por vezes, os filmes do género não precisam de ter uma história complexa ou elaborada para serem bons, e este podia muito bem ser um desses exemplos, caso os vilões do filme conseguissem assustar verdadeiramente em alguma das suas aparições. Isto porque sempre que alguma personagem é confrontada com os fantasmas, estes pouco mais fazem do que "sugá-las". E o suspense nestas cenas é quase inexistente, também. De facto, só uma cena conseguiu atingir melhores resultados neste campo, passada na lavandaria de um prédio.

Nem tudo é mau em Pulse. Os actores cumprem bem o seu trabalho e não atrapalham a história. Além disso, a atmosfera que se vai criando ao longo da narrativa é boa. A fotografia do filme também é interessante. Aliás, é aquilo que mais apreciei, já que os tons predominantes (cinzento, azul, preto) ajudam a retratar o crescente isolamento das personagens. Porém, a história é irreal e o filme não irá certamente assustar quem já tenha visto pelo menos alguns filmes mais "pesados" do género. Sendo assim, é uma pena que o filme seja um fracasso como este, já que a mensagem que pretende transmitir até tem valor nos nossos dias. Talvez tivesse resultado melhor como um drama...
Nota: 4/10
Realizado por:
Jim Sonzero
Com:
Kristen Bell, Ian Somerhalder, Christina Milian, Rick Gonzalez e Jonathan Tucker.

Citação do dia:
Isabel Puentes: They want what the don't have anymore, they want life. De Pulse.


Sunday, April 15, 2007

hostel

Neste post, farei uma crítica a um filme que revi este fim-de-semana e que foi bastante falado aquando da sua saída, Hostel.
Hostel estreou nos E.U.A. em 2005 e aqui em Portugal em Abril de 2006 - precisamente quando eu o vi pela primeira vez. Antes da sua estreia por terras americanas, o filme causou grande impacto nos festivais em que foi exibido, tendo levado alguns críticos a afirmar que se tratava do filme mais assustador de sempre e que era extremamente violento (existem relatos até de pessoas que não aguentaram até ao fim do filme). Criou-se, então, um enorme hype à volta do filme e todos estavam ansiosos por vê-lo. Será que aquilo que diziam era verdade? Continuem e a ler e descobrirão…

Jay Hernandez, Eythor Gudjonsson, Derek Richardson

A trama do filme começa por nos apresentar às três personagens principais, dois americanos (Paxton e Josh) e um islandês (Oli), que se encontram em Amsterdão, o penúltimo destino da viagem pela Europa. Apesar de tencionarem ir para Espanha em seguida, um habitante local indica-lhes um sítio onde eles podem satisfazer todas as suas fantasias sexuais, um albergue situado em Bratislava, na Eslováquia. Persuadidos por aquilo que ele lhes dissera e pelas fotografias das mulheres que poderiam lá encontrar, os três partem para Bratislava. Lá, encontram duas mulheres (Natalya e Svetlana) com quem começam a criar uma afinidade, não sabendo o terror que os aguarda.
A primeira parte do filme ocupa-se de desenvolver as personagens, apesar de o fazer apenas superficialmente. Um deles é viciado em sexo e, aos oito anos, viu uma rapariga afogar-se, outro intitula-se como o “rei do swing” e a nossa personagem principal é o mais recatado do trio e o mais responsável. De início, devo dizer que as personagens não criam grande empatia com o espectador mas isso vai mudando à medida que a história desenvolve. A segunda parte do filme muda drasticamente de tom e mergulha as personagens principais num terror que nunca poderiam prever, apresentando-nos um lugar onde cada um pode matar, torturar e satisfazer as suas fantasias mais selvagens por um preço. Como podem imaginar, o destino do trio não é nada animador.

O ponto central da história é mesmo esse lugar e a forma como as coisas funcionam por lá - e isto é, segundo o realizador Eli Roth, baseado em factos reais. Encontramos então um grupo de vilões ricos de várias nacionalidades dispostos a tratar as suas vítimas de forma digamos… não muito agradável. As cenas de tortura variam de intensidade - aquela em que cortam os tendões do calcanhar a uma personagem é a melhor e a mais perturbante de todas. Quanto ao gore, é em grande quantidade e capaz de fazer alguns desviar os olhos em algumas cenas.

Jay Hernandez

Hostel é um filme com boa fotografia, que ajuda no desenvolvimento da trama (reparem como os lugares passam de cores vivas e alegres a cores mais cinzentas, a meio do filme, e, depois, ao preto e vermelho), bem realizado e com actores que conseguem cumprir muito bem a sua função de gritar e retratar a dor e o sofrimento que experimentam, além de alguns momentos mais dramáticos (Derek Richardson e Jay Hernandez destacam-se, bem como Jennifer Lim, que protagoniza uma das cenas mais tocantes do filme, perto do final) mas com um senão - não assusta. Sim, existe muito sangue e membros por todo o cenário mas isso não chega para assustar - apesar de chocar o espectador com isso. O que faltou a Hostel foi suspense. Porém, funciona muito bem como um thriller com contornos de terror. Ah, e fez-me querer visitar a República Checa... pelas paisagens, é claro. :)
Nota: 8/10
Realizado por:
Eli Roth
Com: Jay Hernandez, Derek Richardson, Eythor Gudjonsson, Jennifer Lim, Barbara Nedeljakova e Jan Vlasák.

Citação do dia:
Natalya: I get a lot of money for you, and that makes you my bitch. De Hostel.



três filmes, três boas experiências

Olá. Hoje decidi que iria escrever um post sobre os últimos filmes a que assisti, enquanto não arranjo melhores temas para escrever; além disso, a única coisa que me tem ocupado o pensamento desde que acordei é o fim-de-semana que passei com uns amigos, mas isso… isso fica para outro post.

Pois bem… o primeiro dos três filmes foi um que referi no post anterior.

Last Holiday (Tudo o Que Sempre Sonhei)

Gérard Depardieu, Queen Latifah

Remake de um filme de 1950, este Last Holiday foi, sem dúvida, uma boa escolha para passar uma noite em casa, sem nada que fazer. Já me tinham falado bem dele e eu já o queria ver há uns tempos, mas acabou por ser melhor do que pensava.

O filme conta a história de uma mulher, Georgia Byrd (interpretada por Queen Latifah), que descobre que, devido a um tumor no cérebro, morrerá dali a algumas semanas. Determinada a aproveitar ao máximo o tempo que lhe resta, pega em todo o dinheiro que tinha poupado e parte para Praga, para um hotel de luxo… Depois daqui, o melhor é verem por vós mesmos, porque não se arrependerão.
Prós: tem bons momentos quanto comédia, e bons momentos quanto drama. Tem actores razoavelmente bem conhecidos, como Gérard Depardieu, e é um filme com uma mensagem muito boa, capaz de nos fazer reflectir um pouco.
Contras: o final é um pouco previsível.
8/10

O seguinte é uma obra integrante do currículo de um realizador considerado por muitos como um mestre, Alfred Hitchcock.

Marnie
Tippi Hedren
Devo dizer que ainda são poucos os filmes deste mítico realizador a que assisti, e Marnie é (e ainda bem) um deles. Descobri-o há alguns dias, quando via televisão à tarde e estavam a passá-lo no canal Hollywood. O filme, pelo que vi, foi um fracasso de bilheteira aquando da sua saída (1964), apesar de contar com Tippi Hedren e Sean Connery no elenco e Hitchcock na realização.

Aqui encontramos a história de uma criminosa, Marnie Edgar, uma ladra compulsiva que, após alguns roubos que cometeu com sucesso, tenta fazer o mesmo a Mark Rutland (um amigo de negócios da última vítima da mulher) mas, depois de o roubar, ele consegue encontrá-la e persuade-a a casar-se com ele. É então que ele descobre que Marnie sente-se insegura perto de homens e que ela tem uma fobia pela cor vermelha…
Prós: a história, a realização, a forma como a trama se desenvolve. Tippi Hedren.
Contras: algumas cenas, como algumas a cavalo, são bastante irrealistas nos nossos dias.
7/10

Por fim, um thriller ao estilo de Saw e Cube.

Unknown (Estranhos)
Greg Kinnear
Okay… este filme parecia-me ser excelente. Primeiro, porque o trailer fez-me lembrar uma série que eu adoro, Saw, e, segundo, porque a história parecia intrigante e relembrava-me Cube, pelo facto dos cinco homens terem perdido a memória. Mas, de facto, houve algo que não resultou…
Deixem-me esclarecer-vos em relação ao argumento: cinco homens acordam num armazém e descobrem que estão ali enclausurados sem possível saída. Todos perderam a memória, o que os leva a questionar quem são, o porquê de estarem ali e quem os fechou num armazém. - Interessante, pelo menos para mim. Eu gostei da história e do seu desenvolvimento mas, sei lá, acho que estava à espera de algo mais sangrento e doentio. Apesar de ter gostado - e muito do que vi -, penso que as minhas expectativas eram bastante grandes e, por isso, o filme não as conseguiu cumprir. Contudo, os twists que vão acontecendo exigem que fiquemos atentos a tudo o que se passa, se queremos entender todos os detalhes da trama.
Acima de tudo, vejam-no se gostarem de thrillers com uma história onde há espaço para várias surpresas.
Prós: as personagens, a história. Alguns actores conhecidos marcam presença, como Jim (ou James) Caviezel, e os twists.
Contras: o filme podia ter sido realizado de uma forma mais… entusiasmada, com mais energia e estilo.
7/10

Monday, February 26, 2007

aquilo que somos

Há dias acabei de ler um livro chamado O Fogo e as Cinzas, do autor português Manuel da Fonseca. De entre os contos que incorporam o livro, houve um, chamado igualmente de O Fogo e as Cinzas, que achei particularmente interessante e que me fez escrever este post.

No conto, encontramos um velho num café a relatar-nos a história da sua vida. Ele fala-nos dos amigos que antes lhe faziam companhia naquelas tardes passadas a beber café e sobre a perda do amor da sua vida, bem como doutras coisas. Achei este relato deprimente e com significado. Em primeiro lugar, porque é sobre uma vida falhada, sobre uma vida mal vivida e aproveitada.

Todos dizemos que devemos é gozar a vida, vivê-la intensamente, mas poucos o conseguem fazer. Todos ouvimos dizer que o tempo passa depressa e não poupa ninguém, mas só nos apercebemos disso quando já é tarde. Todos temos a noção de que, mais cedo ou mais tarde, ficaremos sozinhos, desamparados, mas vivemos na ilusão de que isso é mentira. Todos temos receio de envelhecer, apesar de isso ser uma coisa natural; afinal de contas, faz parte do ciclo da vida.

“A vida de um idoso é recordar o seu passado; se tem boas recordações, é feliz, se teve uma vida má, não é.”, dissera o pai de uma amiga minha, há mais ou menos dois meses, quando jantávamos. No conto, o narrador é uma pessoa que pertence, claramente, ao segundo grupo. Ele vive refugiado nas lembranças, no pensamento, isolado em si mesmo. Mas… e se esse eu me tornar nesse velho?
Já imaginaram o que deve ser chegarmos ao fim da linha e apercebermo-nos de que falhámos, de que devíamos ter feito as coisas de maneira bem diferente e de que não temos mais oportunidades? De que estamos sozinhos porque não fomos mais ousados? De que não temos bons momentos a recordar? De que vamos morrer no esquecimento, sem ninguém para sentir a nossa falta? De que, no fundo, a nossa existência foi quase… em vão? Pois, eu tenho vindo a pensar nisso… e acho que deve ser terrivelmente penoso chegarmos a essas conclusões na fase final das nossas vidas.

Perdidos pelos parques, sentados nos cafés… todos nós já encontrámos idosos assim, quase vegetativos, a pensar na vida. Já imaginaram como deve ser viver assim, sem perspectivas de vida, sem motivos de felicidade? Eu já. E, sinceramente, não gostei de me pôr no lugar deles.

Por isso, acho que devíamos realmente reflectir sobre dois aspectos:
Se queremos tornar-nos naquelas pessoas e se é correcto existirem pessoas abandonadas nos lares pelos seus familiares.
Pensem e tirem as vosssas conclusões, porque eu já tirei as minhas…

Citação do dia:
Georgia Byrd: Next time… we will laugh more, we’ll love more; we just won’t be so afraid.
Do filme Tudo o que sempre Sonhei (Last Holiday), que vi há uma semana e gostei muito. E, como tem muito a ver com a temática do post, acho que a citação se enquadra perfeitamente. Aconselho a verem!

Maria de Jesus, 113 anos

Help me, I’m LOST


“O que faria eu, se estivesse numa ilha deserta?”

Àquela pergunta, surgem muitas respostas, e variam de pessoa para pessoa. Mas, na maioria, as pessoas realmente adorariam estar sozinhas numa ilha, especialmente se estivessem acompanhadas por aquela pessoa especial… Porquê? Fácil, a resposta, na minha opinião: seria um lugar longe da confusão, do stress, um lugar paradísiaco só para duas pessoas.Mas, para Jack, Sawyer, Charlie, Claire e as restantes personagens da série Lost, o que seria um sonho para muitas pessoas acabou por tornar-se um pesadelo, à medida que eles se aventuram na ilha durante - até hoje - três temporadas, e descobrem os seus segredos.

Lost é uma série muito interessante de se acompanhar, quer pelo seu enredo, quer pelas personagens, pelo cenário e pelos acontecimentos que vão tendo lugar, prendendo o espectador. Contudo, já se está a prolongar um pouco… Quanto às personagens, devo dizer que a minha favorita é a Claire (a actriz que a interpreta, Emilie de Ravin, foi uma das personagens principais do remake de The Hills Have Eyes), pela sua forma de ser, pela sua relação com Charlie. Quanto à história, é intrigante e inteligente, recomendo.

Se me perguntassem se gostava de ir para uma ilha deserta… Bem, a minha resposta seria não. Primeiro porque o Homem é um ser que não consegue viver isolado, mas sim em sociedade, e eu não trocaria todas as pessoas que gosto e que gostam de mim por uma ilha com água quente e areia branca, depois porque acho que me cansaria rapidamente lá, sozinho e sem nada para fazer (sempre podia roubar fruta aos macacos, mas acabava por me cansar…), e, por último, porque gosto do sítio onde vivo, e das pessoas com quem convivo no dia-a-dia (mesmo não estando presentes fisicamente).

E vocês, o que acham disto tudo?

Citação do dia:
John (Jigsaw):Congratulations. You are still alive. Most people are so ungrateful to be alive. But not you. Not anymore. Do filme Saw.

Sunday, February 25, 2007

eu e o meu blog

O 1º post…

Olá

Como podem ver, é a primeira vez que escrevo neste meu espaço, e, assim sendo, penso que devo contar o porquê da criação do Luzes, Câmara, Acção.
Nos últimos tempos, vários amigos meus têm vindo a criar blogs e, pode dizer-se, que eu fui arrastado nessa onda. De início, pensei “Um Blog? Que é que vou fazer com um Blog?”, e não me parecia lá muito boa ideia.
Em que consistirá, então, este espaço? Isto levou-me um pouco a ponderar, e decidi que aqui falarei da minha vida, sim, mas não vai ser um diário ou coisa que se pareça, até porque eu sou instável ao ponto de haver dias em que possa postar mais de uma só vez e pode tamém haver dias em que não postarei nada; falarei, como o próprio título indica, de cinema, uma das minhas paixões, e postarei aqui recomendações, críticas e notícias, entre outras ideias que poderão eventualmente surgir; outro tema aqui presente será a literatura, falarei um pouco dos livros e das minhas leituras; juntem isto a posts sobre temas muitas vezes desconexos dos que mencionei, mas que podem - ou não - ser importantes para mim, e assim sendo, escreverei sobre eles.

Agora que está explicado o porquê da criação do Blog e de vós estardes a ler isto, penso ser propício falar um pouco de mim. Pois bem, chamo-me Rúben Gonçalves e fiz há pouco tempo 15 anos. Frequento o 10º ano de escolaridade e moro em Braga, que é também a minha cidade-natal. Tenho alguns cães, cujos nomes passo a citar: Felina, a mais velha, Duke, o 2º cão que tivemos, Xana, a mais pequena dos cinco, Max, o filho dos dois primeiros, e Tita, proveniente de Espanha, são de raça husky e gosto muito deles, apesar de não desfrutar da sua companhia tanto como devia (pois os cães também sentem, também sofrem). Considero-me um jovem normal, que gosta muito de estar com os amigos, estar na Internet, ir ao cinema, ouvir música, jogar consola, escrever, entre outras coisas.

Findas as apresentações, resta-me esperar que gostem do que aqui escreverei, que opinem e façam sugestões.

Já agora, só para dizer que, por norma, deixarei alguma citação de um livro ou de um filme no final de cada post, umas com mais significado do que outras, é verdade, mas serão frases que, de uma forma ou doutra, me agradaram.

Cito hoje uma fala duma personagem do romance The Lake House, com Keanu Reeves e Sandra Bullock, um filme que recomendo. Os que viram o filme certamente vão encontrar significado.
Kate Forster: One man I can never meet. Him, I would like to give my whole heart to.