Monday, February 26, 2007

aquilo que somos

Há dias acabei de ler um livro chamado O Fogo e as Cinzas, do autor português Manuel da Fonseca. De entre os contos que incorporam o livro, houve um, chamado igualmente de O Fogo e as Cinzas, que achei particularmente interessante e que me fez escrever este post.

No conto, encontramos um velho num café a relatar-nos a história da sua vida. Ele fala-nos dos amigos que antes lhe faziam companhia naquelas tardes passadas a beber café e sobre a perda do amor da sua vida, bem como doutras coisas. Achei este relato deprimente e com significado. Em primeiro lugar, porque é sobre uma vida falhada, sobre uma vida mal vivida e aproveitada.

Todos dizemos que devemos é gozar a vida, vivê-la intensamente, mas poucos o conseguem fazer. Todos ouvimos dizer que o tempo passa depressa e não poupa ninguém, mas só nos apercebemos disso quando já é tarde. Todos temos a noção de que, mais cedo ou mais tarde, ficaremos sozinhos, desamparados, mas vivemos na ilusão de que isso é mentira. Todos temos receio de envelhecer, apesar de isso ser uma coisa natural; afinal de contas, faz parte do ciclo da vida.

“A vida de um idoso é recordar o seu passado; se tem boas recordações, é feliz, se teve uma vida má, não é.”, dissera o pai de uma amiga minha, há mais ou menos dois meses, quando jantávamos. No conto, o narrador é uma pessoa que pertence, claramente, ao segundo grupo. Ele vive refugiado nas lembranças, no pensamento, isolado em si mesmo. Mas… e se esse eu me tornar nesse velho?
Já imaginaram o que deve ser chegarmos ao fim da linha e apercebermo-nos de que falhámos, de que devíamos ter feito as coisas de maneira bem diferente e de que não temos mais oportunidades? De que estamos sozinhos porque não fomos mais ousados? De que não temos bons momentos a recordar? De que vamos morrer no esquecimento, sem ninguém para sentir a nossa falta? De que, no fundo, a nossa existência foi quase… em vão? Pois, eu tenho vindo a pensar nisso… e acho que deve ser terrivelmente penoso chegarmos a essas conclusões na fase final das nossas vidas.

Perdidos pelos parques, sentados nos cafés… todos nós já encontrámos idosos assim, quase vegetativos, a pensar na vida. Já imaginaram como deve ser viver assim, sem perspectivas de vida, sem motivos de felicidade? Eu já. E, sinceramente, não gostei de me pôr no lugar deles.

Por isso, acho que devíamos realmente reflectir sobre dois aspectos:
Se queremos tornar-nos naquelas pessoas e se é correcto existirem pessoas abandonadas nos lares pelos seus familiares.
Pensem e tirem as vosssas conclusões, porque eu já tirei as minhas…

Citação do dia:
Georgia Byrd: Next time… we will laugh more, we’ll love more; we just won’t be so afraid.
Do filme Tudo o que sempre Sonhei (Last Holiday), que vi há uma semana e gostei muito. E, como tem muito a ver com a temática do post, acho que a citação se enquadra perfeitamente. Aconselho a verem!

Maria de Jesus, 113 anos

Help me, I’m LOST


“O que faria eu, se estivesse numa ilha deserta?”

Àquela pergunta, surgem muitas respostas, e variam de pessoa para pessoa. Mas, na maioria, as pessoas realmente adorariam estar sozinhas numa ilha, especialmente se estivessem acompanhadas por aquela pessoa especial… Porquê? Fácil, a resposta, na minha opinião: seria um lugar longe da confusão, do stress, um lugar paradísiaco só para duas pessoas.Mas, para Jack, Sawyer, Charlie, Claire e as restantes personagens da série Lost, o que seria um sonho para muitas pessoas acabou por tornar-se um pesadelo, à medida que eles se aventuram na ilha durante - até hoje - três temporadas, e descobrem os seus segredos.

Lost é uma série muito interessante de se acompanhar, quer pelo seu enredo, quer pelas personagens, pelo cenário e pelos acontecimentos que vão tendo lugar, prendendo o espectador. Contudo, já se está a prolongar um pouco… Quanto às personagens, devo dizer que a minha favorita é a Claire (a actriz que a interpreta, Emilie de Ravin, foi uma das personagens principais do remake de The Hills Have Eyes), pela sua forma de ser, pela sua relação com Charlie. Quanto à história, é intrigante e inteligente, recomendo.

Se me perguntassem se gostava de ir para uma ilha deserta… Bem, a minha resposta seria não. Primeiro porque o Homem é um ser que não consegue viver isolado, mas sim em sociedade, e eu não trocaria todas as pessoas que gosto e que gostam de mim por uma ilha com água quente e areia branca, depois porque acho que me cansaria rapidamente lá, sozinho e sem nada para fazer (sempre podia roubar fruta aos macacos, mas acabava por me cansar…), e, por último, porque gosto do sítio onde vivo, e das pessoas com quem convivo no dia-a-dia (mesmo não estando presentes fisicamente).

E vocês, o que acham disto tudo?

Citação do dia:
John (Jigsaw):Congratulations. You are still alive. Most people are so ungrateful to be alive. But not you. Not anymore. Do filme Saw.

Sunday, February 25, 2007

eu e o meu blog

O 1º post…

Olá

Como podem ver, é a primeira vez que escrevo neste meu espaço, e, assim sendo, penso que devo contar o porquê da criação do Luzes, Câmara, Acção.
Nos últimos tempos, vários amigos meus têm vindo a criar blogs e, pode dizer-se, que eu fui arrastado nessa onda. De início, pensei “Um Blog? Que é que vou fazer com um Blog?”, e não me parecia lá muito boa ideia.
Em que consistirá, então, este espaço? Isto levou-me um pouco a ponderar, e decidi que aqui falarei da minha vida, sim, mas não vai ser um diário ou coisa que se pareça, até porque eu sou instável ao ponto de haver dias em que possa postar mais de uma só vez e pode tamém haver dias em que não postarei nada; falarei, como o próprio título indica, de cinema, uma das minhas paixões, e postarei aqui recomendações, críticas e notícias, entre outras ideias que poderão eventualmente surgir; outro tema aqui presente será a literatura, falarei um pouco dos livros e das minhas leituras; juntem isto a posts sobre temas muitas vezes desconexos dos que mencionei, mas que podem - ou não - ser importantes para mim, e assim sendo, escreverei sobre eles.

Agora que está explicado o porquê da criação do Blog e de vós estardes a ler isto, penso ser propício falar um pouco de mim. Pois bem, chamo-me Rúben Gonçalves e fiz há pouco tempo 15 anos. Frequento o 10º ano de escolaridade e moro em Braga, que é também a minha cidade-natal. Tenho alguns cães, cujos nomes passo a citar: Felina, a mais velha, Duke, o 2º cão que tivemos, Xana, a mais pequena dos cinco, Max, o filho dos dois primeiros, e Tita, proveniente de Espanha, são de raça husky e gosto muito deles, apesar de não desfrutar da sua companhia tanto como devia (pois os cães também sentem, também sofrem). Considero-me um jovem normal, que gosta muito de estar com os amigos, estar na Internet, ir ao cinema, ouvir música, jogar consola, escrever, entre outras coisas.

Findas as apresentações, resta-me esperar que gostem do que aqui escreverei, que opinem e façam sugestões.

Já agora, só para dizer que, por norma, deixarei alguma citação de um livro ou de um filme no final de cada post, umas com mais significado do que outras, é verdade, mas serão frases que, de uma forma ou doutra, me agradaram.

Cito hoje uma fala duma personagem do romance The Lake House, com Keanu Reeves e Sandra Bullock, um filme que recomendo. Os que viram o filme certamente vão encontrar significado.
Kate Forster: One man I can never meet. Him, I would like to give my whole heart to.