A tecnologia é um factor muito importante na vida de cada um de nós. De facto, sem tecnologia, o mundo seria muito diferente daquele dos nossos dias.
Em geral, os avanços nesta área serviram para modificar de forma positiva a vida do ser humano, porém, lentamente, os efeitos negativos das tecnologias - em particular daquelas que usamos para comunicar - começam a tornar-se cada vez mais notórios. Assim, aquilo que era suposto aproximar-nos tem o efeito completamente oposto, separando-nos cada vez mais uns dos outros. E é esse o tema-base de Pulse.
O filme começa com um estudante a dirigir-se para a biblioteca da escola, claramente perturbado. À sua volta, vemos outros jovens, a maior parte a falar ao telemóvel, ou com um computador portátil, ou outro tipo de tecnologia. Esta cena é interessante porque consegue transmitir de forma eficiente a mensagem do filme.
O rapaz lá consegue chegar à biblioteca mas, para seu azar, não consegue encontrar a pessoa que procurava. Em vez disso, é atacado por uma espécie de fantasma. A cena então acaba e corta para um grupo de amigos num café - Mattie, Izzie, Stone e Tim -, as nossas personagens principais. Infelizmente, as personagens também não são muito elaboradas; aliás, são esteriótipos de jovens americanos - temos o tímido, o hacker, a permíscua... A única um pouco mais desenvolvida é mesmo Mattie, que vê o seu namorado suicidar-se e tem uma relação disfuncional com a mãe.
A história começa verdadeiramente quando o namorado de Mattie (aquele que vimos no início do filme) se suicida e pede ajuda aos restantes. E, a partir daqui, Pulse começa a descarrilar. A trama desenvolve-se de forma repetitiva e algo desengonçada, pelo que, quando vemos as consequências do vírus, o choque é inexistente. Existem poucas explicações para o que acontece, e, quando o filme tenta justificar os seus acontecimentos (como, por exemplo, o vírus surgiu), estas parecem (bastante) irrealistas. Talvez no filme japonês (Kairo) em que Pulse se inspira, o conceito tenha resultado de uma melhor forma.
Enquanto filme de terror, Pulse é também bastante insatisfatório. Por vezes, os filmes do género não precisam de ter uma história complexa ou elaborada para serem bons, e este podia muito bem ser um desses exemplos, caso os vilões do filme conseguissem assustar verdadeiramente em alguma das suas aparições. Isto porque sempre que alguma personagem é confrontada com os fantasmas, estes pouco mais fazem do que "sugá-las". E o suspense nestas cenas é quase inexistente, também. De facto, só uma cena conseguiu atingir melhores resultados neste campo, passada na lavandaria de um prédio.
Nem tudo é mau em Pulse. Os actores cumprem bem o seu trabalho e não atrapalham a história. Além disso, a atmosfera que se vai criando ao longo da narrativa é boa. A fotografia do filme também é interessante. Aliás, é aquilo que mais apreciei, já que os tons predominantes (cinzento, azul, preto) ajudam a retratar o crescente isolamento das personagens. Porém, a história é irreal e o filme não irá certamente assustar quem já tenha visto pelo menos alguns filmes mais "pesados" do género. Sendo assim, é uma pena que o filme seja um fracasso como este, já que a mensagem que pretende transmitir até tem valor nos nossos dias. Talvez tivesse resultado melhor como um drama...
Nota: 4/10
Realizado por: Jim Sonzero
Com: Kristen Bell, Ian Somerhalder, Christina Milian, Rick Gonzalez e Jonathan Tucker.
Citação do dia:
Isabel Puentes: They want what the don't have anymore, they want life. De Pulse.
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